segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Nanorreator reforça metabolismo e faz células lutarem contra o câncer

Cientistas suíços demonstraram que as células humanas podem ter seu metabolismo reforçado sem nenhuma alteração genética, bastando inserir nelas minúsculas nanoesferas feitas de polímero e cheias de enzimas.

Os pesquisadores esperam que essas nanopartículas possam abrir caminho para uma nova geração de terapias contra o câncer e até mesmo aumentar a capacidade metabólica do ser humano.

Organelas

As células da maioria dos seres vivos possuem componentes internos chamados organelas, responsáveis por desempenhar funções metabólicas específicas. Wolfgang Meier e seus colegas da Universidade de Bazel construíram organelas artificiais com polímeros e verificaram, em uma experiência in vitro, que elas ativam o funcionamento celular.

As nanocápsulas de polímero foram recobertas com um composto químico que aumenta a chance de que elas sejam engolidas por glóbulos brancos, células do sangue chamadas macrófagos. Em seu interior foram colocadas enzimas que produzem compostos fluorescentes, permitindo que os pesquisadores acompanhassem os pontos onde elas estavam funcionando sem afetar a célula hospedeira.

Nanorreator celular

As paredes da organela artificial podem ter sua composição ajustada para permitir que apenas determinados compostos químicos passem por elas, controlando desta forma as reações que vão ocorrer em seu interior. É por isso que os pesquisadores as chamaram de nanorreatores. Cada nanorreator mede 200 nanômetros de diâmetro.

Embora ainda não tenham começado as pesquisas em seres vivos, os cientistas vislumbram que suas organelas artificiais poderão ser utilizadas para contaminar as células cancerosas, fazendo com que elas se destruam de dentro para fora.

Destruindo células tumorais

As chamadas "drogas inteligentes", que já estão disponíveis no mercado, utilizam um mecanismo pelo qual elas só são ativadas na presença de uma proteína específica, proteína esta que só é encontrada nas células tumorais. Isso faz com que o medicamento aja apenas nas células doentes, não afetando as células sadias.

As organelas de plástico poderão ser ainda mais eficazes, já que estarão atuando no interior dessas células, transformando enzimas que tornarão o medicamento ainda mais efetivo.

Mutantes

Mas os cientistas vão ainda mais longe. Em entrevista à revista New Scientist, o Dr. Meier fala da possibilidade, no futuro distante, de se introduzir funções metabólicas não-humanas nas células humanas. "Nós poderíamos, em princípio, construir um nanorreator que levaria sua pele a fazer algo parecido com a fotossíntese. Assim, quando você tiver fome, tudo o que terá a fazer é ficar um pouco ao Sol," sonha ele.

Redação do Site Inovação Tecnológica

Bibliografia:

Cell-Specific Integration of Artificial Organelles Based on Functionalized Polymer Vesicles
Nadav Ben-Haim, Pavel Broz, Stephan Marsch, Wolfgang Meier, Patrick Hunziker
Nano Letters
May 2008
Vol.: 8 (5), 1368-1373
DOI: 10.1021/nl080105g

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